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  • Mente Saudável

Exposição do suicida na mídia: Um análise da série "13 REASONS WHY.

Por

Joseane Santos de Oliveira

( Aluna concluinte do curso de Psicologia da Faculdade Maurício de Nassau/JP)

Luís Augusto de Carvalho Mendes

(Professor orientador, docente da Faculdade Maurício de Nassau/JP, mestre e doutor em Psicologia Social UFPB )




O demônio do meio dia - Andrew Solomon

[...] tenho que cerrar os dentes para continuar na calçada até o sinal abrir; ou imagino como seria fácil cortar os pulsos; ou experimento famintamente o metal do cano de uma arma na boca; ou fantasio dormir e jamais acordar de novo. Detesto essas sensações, mas sei que elas me impeliram a olhar a vida de modo mais profundo, a descobrir e agarrar razões para viver.

Resumo:

As estatísticas mundiais referentes as mortes autoprovocadas são alarmantes. segundo a Organização Mundial de Saúde a cada três segundo uma pessoa no mundo atenta contra a própria vida e a cada 40 segundos, uma dessas pessoas tem sucesso, tornando o suicídio um problema considerado de saúde pública. Baseado neste contexto, o objetivo deste estudo foi analisar a percepção das pessoas, a respeito do modo como o suicídio é exposto pela série “13 Reasons Why”, assim como identificar se a mesma pode ou não influenciar indivíduos que apresentam ou não algum tipo de vulnerabilidade emocional. Esta pesquisa teve caráter qualiquantitativo com foco principal em analisar as interações dos usuários do Facebook, por meio da análise de 300 comentários coletados de uma postagem do doutor em psiquiatria Luís Fernando Tófoli, que postou em sua página oficial, um artigo com o seguinte título 13 Parágrafos de Alerta sobre “13 Reasons Why” para pais, educadores e profissionais de saúde. Sendo utilizado para análise de conteúdo textual, o programa Iramuteq. A partir das análises foram observadas três classes, sendo elas: Classe 1 Contra a Série; Classe 2 Opiniões Divergentes e a Classe 3 Discussões e Vulnerabilidades. Que delinearam percepções contrarias ou divergentes ao modo como a série retratou o tema do suicídio, assim como também fez apontamentos relevantes ao aumento significativo da discussão aberta sobre o assunto e também avaliações a respeito das vulnerabilidades desses indivíduos. Ao longo do estudo foi possível observar a existência de uma necessidade das pessoas em falarem e serem ouvidas e que a maneira como o tema é abordado pela série, é apenas aponta do iceberg, de uma questão muito maior e mais complexa. Palavras-chaves: Suicídio. Percepção. Vulnerabilidade. Discussão Aberta.


1 INTRODUÇÃO

O suicídio é um fenômeno social recorrente no mundo. Com números alarmantes, vem sendo considerado um problema de saúde pública. Durante muitos anos, esse assunto foi tratado como tabu, não se falava a respeito, o tema era malvisto devido ao preconceito, falta de informação e por conceitos religiosos. Essa realidade aos poucos vem sendo transformada, mas infelizmente ainda se mostra presente, apesar dos inúmeros debates e campanhas de prevenção e combate, ainda existe resistência ao se discutir a temática.


Segundo a agência da Organização das Nações Unidas – ONU, mais de 800 mil pessoas morrem vítimas do suicídio anualmente e uma quantidade ainda maior de indivíduos tenta tirar a própria vida no mesmo período (BERTOLLI FILHO, MONARI, 2018).


De acordo com a OMS (2016), a associação entre distúrbios suicidas e mentais, em específico a depressão e o abuso de álcool e drogas, se apresentam mais frequentes em países de alta renda. Muitos suicídios ocorrem guiados pela impulsividade em situações de crise, como por exemplo, devido ao colapso nervoso, que acontece por causa da incapacidade do sujeito em lidar com as dificuldades, problemas e estresse recorrentes em suas vidas, no dia a dia. De acordo com Perreira; Botti (2017), outro fator de risco registrado no que se refere ao comportamento suicida é a mídia. Os meios de comunicação que expõem informações ou abordam o assunto de forma errônea, desguarnecendo pessoas que apresentam determinadas vulnerabilidades, podem influenciá-las negativamente. Nem sempre o papel informativo que a mídia possui, se torna positivo no que se refere ao suicídio, principalmente quando as informações exibidas são equivocadas e/ou transmitidas de forma inautênticas. É fundamental levar em consideração, primordialmente, que os informativos de prevenção e de como pedir ajuda são fundamentalmente importantes, porém nem sempre os programas de televisão, jornais, internet, novelas, séries entre outros se atentam em realizar a divulgação dessas informações.


É importante salientar que se as informações acerca do suicídio forem expostas corretamente e de modo substancial pelas redes sociais e midiáticas em geral, esses informativos podem ser uma ferramenta informativa elucidativa eficiente, que pode ser usada como alerta, para orientar e identificar indivíduos que precisam ser ajudados. Conforme o que foi abordado, surgiu a necessidade de compreender de que modo a série “13 Reasons Why” pode instigar a percepção das pessoas acerca do suicídio.


Quando a série foi transmitida pelo streaming Americano, Netflix, em março de 2017, abordando temas polêmicos como suicídio, assédio, violência sexual (estupro), bullying, diferença de gênero entre outros, a repercussão gerada pelo programa causou extensas discussões. O suicídio foi o principal tema debatido, já que no último episódio, se exibiu a cena explícita da protagonista tirando a própria vida, o que repercutiu em uma grande controvérsia, considerando que a personagem não apresentou de forma clara sintomas depressivos nos episódios anteriores, causando inúmeras divergências de opiniões, possibilitando diversas discussões sobre a morte autoprovocada, mesmo com a presente resistência em torno do tema. Não se deve ignorar questões tão delicadas como estas, a influência exercida pela mídia é real assim como suas possíveis consequências.


A importância desta análise, firma-se, em ter uma melhor compreensão da assimilação causada pelas redes sociais, na população, acerca do modo como o suicídio é abordado, utilizando a série “13 Reasons Why”, investigando a percepção das pessoas, que possuem ou não algum tipo de vulnerabilidade e como se sentiram ao assistir a série.


Este estudo tem como objetivo descrever como a série expôs a morte autoprovocada, assim como buscar compreender como o uso indevido dessa exposição nas redes sociais, pode influenciar em questões psicológicas, pessoas que possuem ou não vulnerabilidades emocionais, buscando analisar se a série proporcionou uma discussão mais aberta sobre o tema, que ainda nos tempos atuais é visto como um tabu.


A pesquisa de caráter bibliográfico com fundamentação documental, foi realizada, por meio da análise dos comentários de uma postagem do doutor em psiquiatria Luís Fernando Tófoli, que postou em sua página oficial na rede social virtual Facebook, um curto artigo com o seguinte título: 13 Parágrafos de Alerta sobre “13 Reasons Why” para pais, educadores e profissionais de saúde.


O presente estudo foi realizado com o intuito de alertar a população acerca do modo como o suicídio é exposto pela série, contribuindo também para a comunidade acadêmica e científica, abordando um tema significativo e atual que pode contribuir expressivamente para os estudos de saúde mental, assim como para os profissionais das áreas de saúde em geral.


2 SUICÍDIO: UM FENÔMENO GLOBALIZADO

Quando se fala da morte, existem perspectivas diferentes no modo como se enxerga. A visão de finitude, seja, por um olhar religioso ou sociocultural, tende a ser definido pelo modelo cultural ao qual determinado indivíduo está inserido. O suicídio é uma questão que vem ocasionando inúmeras discussões, no decorrer dos últimos anos, vinculado a uma rede ampla de questionamentos nos âmbitos conceptuais, morais, psicológicos, sociológicos, antropológicos, culturais e também de atitudes, assim como em aspectos mais subjetivos e particulares como glorificação, condenação, vilificação, angústia, simpatia, compaixão entre outros, sem nunca 7 deixar aberturas para questionamentos e controvérsias (ARAÚJO; PINTO-COELHO; LOPES, 2016).


A origem da palavra suicídio vem do latim sui = si mesmo e caedes = ação de matar, (ROSKOSZ; CHAVES; SOCZEK, 2017). Fukumitsu et. al. (2015), pontua em seu trabalho que a terminologia ‘suicídio’ foi utilizada pela primeira vez em 1737, por Defonteines, e desde então diversas mudanças vêm surgindo no que se refere a sua compreensão. Como foi citado inicialmente a cultura tem um peso relevante e significativo no que se refere à morte, como exemplo, podemos citar as culturas orientais, que possuem uma visão da morte como um fator fundamental da vida, como um estado de transição e primordialmente de evolução, onde é necessário seguir um preparo ou ritual (KOVÁCS, 2010, p. 48 apud FUKUMITSU et. al., 2015).


O modo como se compreender a finitude, através do víeis cultural, a complexidade deste assunto, nos remete a reflexão de que não é diferente quando se trata da morte por suicídio (FUKUMITSU et. al., 2015). Mediante ao que foi explanado, deve ser esclarecido, que esse olhar diferenciado não diminui a importância e/ou impacto causado pelo ato extremo de pôr fim a própria vida, é apenas uma perspectiva diferente de um assunto que deve ser discutido. Dados a níveis mundiais acerca das taxas de suicídio, vem sendo monitorado pela Organização Mundial de Saúde - OMS desde 1950, porém foi apenas em 1998 que de fato deram início as avaliações críticas a respeito destas taxas de vítimas de morte por suicídio, a partir deste ponto foi possível constatar que em um período de cinco anos foram compilados e examinados dados de mortalidade por suicídio em cento e cinco países fazendo uma divisão entre sexo e idade (ROSKOSZ; CHAVES; SOCZEK, 2017).


Através dos dados que foram coletados, um ranking foi construído, com a China liderando o topo da pirâmide com o alarmante número de 195.000 suicídios anualmente (WANG; SANTOS; BERLOTE, 2004 apud. ROSKOSZ; CHAVES; SOCZEK, 2017). Inúmeros monitoramentos vêm sendo realizados pela OMS desde então, e assustadoramente da década de cinquenta até os tempos atuais, esses números vem crescendo consideravelmente e baseando-se nestas estatísticas, em 2004, a OMS registrou um aumento das taxas de morte por suicídio identificando-o como uma questão importante de saúde pública a nível mundial (ARAÚJO; PINTOCOELHO; LOPES, 2016).


De acordo com Bertolli Filho, Monari (2018), no último levantamento realizado pela ONU foram registrados 804 mil casos de pessoas que morreram vítimas de suicídio, tornando este fenômeno uma das dez principais causas de mortalidade mais frequentes a nível global. Estima-se que em média para cada suicídio consumado, cerca de 10 a 25 tentativas são realizadas, ou seja, aproximadamente 10 a 25 milhões de pessoas realizam uma tentativa de pôr fim a própria vida anualmente no mundo, salientando que esses números são uma média baseada nos casos registrados, estudos apontam que o número real pode ser ainda maior (RIGO, 2013).


Os métodos de suicídio variam entre países. Em alguns países, por exemplo, o uso de pesticidas é um método comum de suicídio, contudo, em outros, intoxicação com medicamentos e gases liberados por carros e o uso de armas são mais freqüentes. Meninos morrem muito mais de suicídio que as meninas; uma razão pode ser porque eles usam métodos violentos mais 8 freqüentemente que as meninas para cometer suicídio, como enforcamento, armas de fogo e explosivos. Entretanto, em alguns países o suicídio é mais freqüente entre meninas entre 15 e 19 anos que entre meninos da mesma idade. Nas últimas décadas a proporção de meninas usando métodos violentos tem aumentado (OMS, 2000, p. 6). porque eles usam métodos violentos mais

São variados os aspectos em torno do suicídio e inúmeros os fatores que contribuem para a realização desse ato tão extremo, entre eles estão os grupos democráticos e populações específicas, os mais vulneráveis são os jovens, os mais idosos e os socialmente isolados, como a população indígena, os países de baixa e média renda são os que têm a maior parte da carga suicida global, nesta estatística o Brasil está incluso, o índice anual no território brasileiro excedeu o número de nove mil vítimas em 2011. É importante ressaltar que isso ocorre, porque estes locais não possuem uma estrutura suficientemente fortalecida para impedir o suicídio por se encontrarem pouco capacitados para atender uma demanda crescente que vai da assistência à saúde em geral, até a assistência especializada em saúde mental (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA - CFP, 2013).


Destaca-se ainda, referente ao Brasil, que em uma sociedade capitalista, os fatores que habitualmente motivam as pesquisas e intervenção na Saúde Pública e na Saúde Coletiva são a desoneração do Estado, ou por vezes a ocultação das mazelas do sistema econômico-político presentes na realidade atual em que se encontram muitos países (NETTO, 2013).


Apesar dos crescentes debates tendo o suicídio como foco, ainda existe uma significativa resistência referente a este assunto, causado principalmente pelo pouco conhecimento a respeito do tema, levando em consideração a questão do preconceito sociocultural, assim como as questões religiosas. A decisão de usar o suicídio para pôr fim ao sofrimento é resultado de uma série de fatores que se englobam como, por exemplo, transtornos metais, grupos que apresentam certa vulnerabilidade (refugiados e migrantes; indígenas; lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais LGBTI), abuso de álcool e drogas, depressão, um mal que assola a sociedade contemporânea atual, uma doença silenciosa e destrutiva que aos poucos se estabelece consumindo vidas, dentre todos os fatores citados ela é considerada um dos principais responsáveis por esse ato de desesperança (OMS, 2016).


Todas as colocações feitas têm uma relevância significativa, ainda assim, deve ser mencionado também, que o suicídio é um ato drasticamente individual, e que mesmo sendo um assunto que vem sendo debatido, ainda não é suficiente, para elaborar teorias psicológicas sobre o assunto, torna-se uma tarefa muito complexa (ROSKOSZ; CHAVES; SOCZEK, 2017). Muito ainda precisa ser feito e reelaborado, para desconstruir tantos anos de crenças baseadas em informações limitadas ou em muitos casos a ausência de qualquer informação.


Não devemos nos enganar acreditando que existe um padrão no qual os comportamentos suicidas são desenvolvidos, ele está presente em todos os níveis socioeconômicos, pode ocorrer com qualquer pessoa, independente da faixa etária e do sexo, sua proporção é de nível globalizado, o ato suicida não é especificamente apenas uma tragédia de âmbito pessoal, ele também representa um sério problema de saúde pública mundial (FUKUMITSU et. al. 2015).


2.1 FATORES DE RISCO E VULNERABILIDADES

Vivemos em um modelo de sociedade que não admite a morte, procurando sempre ocultá-la ou distanciá-la a todo custo, na busca de um esforço inútil para 9 evitar que ela ocorra, uma pessoa que tente ou que porventura consiga tirar livremente de modo voluntária a própria vida, só poderia ser vista, em uma linguagem popular do “senso comum” concebível, como um “louco” e é nesse contexto que se costumam vir as argumentações do porquê esses indivíduos tendem a cometer esse ato desesperado (NETTO, 2013).


De acordo com Rigo (2013), a ausência de um esclarecimento mais completo, referente ao ato suicida faz com que seja necessário, para entendê-lo, alguns fatores que devem ser levados em consideração, são os seguintes: os precipitantes (normalmente atuais e externos ao sujeito), os internos (relacionados à sua história de vida e aos transtornos mentais preexistentes) e o contexto sociocultural.


Os indicativos de riscos, neste contexto, são indícios de que se uma pessoa, uma comunidade ou uma população é essencialmente vulnerável ao suicídio, a existência desses fatores de ricos, podem estar presentes em níveis diversos, podem ser individual, social, ou contextual, assim como diversos pontos de interação, a presença desses fatores pode indicar a existência da probabilidade de comportamentos suicidas (OMS, 2012).


Os principais aspectos que estão em torno do fenômeno suicídio são: os biológicos, psicológicos e sociais. Analisando os seguintes aspectos em uma pessoa é possível averiguar os fatores de risco presentes na ideação suicida, como por exemplo: o estado de humor irritável ou depressivo, períodos prolongados de isolamento, hostilidade com familiares e amigos, afastamentos da escola ou queda importante no rendimento escolar (no caso de crianças e adolescentes), afastamento ou queda na produção no trabalho, comportamentos como abuso de substâncias psicoativas (álcool e drogas lícitas e/ou ilícitas), violência física, atividade sexual sem responsabilidade e fugas de casa são alguns sinais para possíveis comportamentos suicidas (FUKUMITSU et. al. 2015).

Classificado pelo Código Internacional das Doenças, (capítulo XX da CID10) como morte violenta por causas externas, isto é, morte não decorrente de doença (OMS, 10ª Revisão, CID-10, 1995), o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial no qual a interação de fatores individuais, sociais e culturais será determinante na decisão de tirar a própria vida (RIGO, 2013, p. 31).

Uma reflexão extremamente coerente e assertiva levantada por Fukumitsu et. al. (2015), que traz um olhar humano focado neste ato desesperado, voltando-se para a natureza humana que define o ser, pois somente quem tira a própria vida é o ser humano e que por essência, vivenciando uma discussão entre o sofrer e o transcender o sofrimento, colocasse em foco o caminho percorrido até o momento em que o indivíduo comete o ato, pois nesse percurso o mesmo recebe influências psicológicas, biológicas, sociais e culturais, esse ser vive uma dialética onde se encontra dividido entre o desejo de viver e o almejo de pôr fim ao seu sofrimento.


Um outro fator relevante que deve ser discutido são os suicídios acometidos por crianças e adolescentes. Foi registrado pela OMS suicídios em crianças a partir dos cinco anos de idade é um fator demasiadamente impactante, pelo fato de imaginar que uma criança ainda tão jovem, que se encontra em processo de desenvolvimento cognitivo e emocional, seja capaz de buscar propositadamente uma possibilidade para pôr um fim a sua dor, por meio do suicídio, entendesse que a uma necessidade de dar uma maior atenção a esse problema, nem sempre uma criança ou adolescente que menciona “se matar” o faz para chamar a atenção, em mais de 45% dos casos é um pedido de ajuda (WERLANG, 2013). 10 Atualmente, o suicídio entre crianças menores de 15 anos é incomum e raro até antes dos 12


Atualmente, o suicídio entre crianças menores de 15 anos é incomum e raro até antes dos 12 anos. A maioria dos suicídios ocorre entre as crianças maiores de 14 anos, principalmente no início da adolescência. Porém, em alguns países está ocorrendo um aumento alarmante nos suicídios entre crianças menores de 15 anos, bem como na faixa etária dos 15 aos 19 anos (OMS, 2006, p. 6).

No entanto, segundo Fukumitsu et. al. (2015), mesmo com a aparente necessidade de voltar-se para este fenômeno, fundamentado por sua importância e gravidade, ainda existe muita resistência no que se refere ao debate aberto na busca por soluções eficientes, com tudo é possível perceber, que pequenas mobilizações sociais frente a essas temáticas estão sendo formadas em diversos países inclusive no Brasil. Esse é um assunto que deve ser discutido, alertas devem ser feitos, para que possam ser realizadas ações preventivas, primordialmente no que se refere as nossas crianças.


Quando se fala em comportamento suicida em determinadas situações, se torna mais comum em certas famílias do que em outras, segundo a OMS (2006), isso ocorre por fatores ambientais e genéticos como podemos verificar no quadro abaixo.


Estudos comprovam que os fatores e situações descritos estão diretamente associados de modo universal as tentativas de suicídio em adultos e entre crianças e adolescentes, porém é importante salientar que nem todos esses fatores se apresentam ao mesmo tempo ou seguem algum tipo de padrões em todos os casos, esses fatores e situações de risco apresentados iram variar entre países e continentes, levando em consideração fatores culturais, políticos, religiosos e econômicos que divergem até mesmo em países vizinhos (OMS, 2006).



Mediante aos fatores de riscos e vulnerabilidades apresentados, diversos estudos associam o suicídio aos transtornos mentais, o que de acordo com essas pesquisas, os que apresentam maior incidência de morte por suicídio estão relacionado a depressão, esquizofrenia e alcoolismo, dentre os três, o que mais se destaca é o transtorno depressivo (RIGO, 2013). O autor também enfatiza, 11 estatísticas levantadas em outros estudos, onde apenas 15% a 20% das pessoas que apresentam esse transtorno se suicidam de fato, uma controvérsia que nos leva a duas conclusões: nem todo deprimido se suicida e nem todas as pessoas que cometeram suicídio tinham transtorno depressivo, o que nos faz pensar que parece mais sensato enxergar a depressão como o fator de risco, ao invés de como uma causa específica para o suicídio.


Citado superficialmente de forma secundária, entre esses fatores estão os diversos meios e acessos midiáticos, que deveriam se colocados como ferramentas para orientação e alerta, mas devido ao modo errôneo como esse assunto é exposto nos diferentes veículos de comunicação seja em jornais, revistas, programas de televisão, internet, redes sociais entre outros se tornou um fator que necessita de atenção, principalmente no que refere as redes sociais virtuais, que expõem informações equivocadas de modo errado, em locais onde qualquer pessoa possa ter acesso, isso ocorre frequentemente (PERREIRA; BOTTI, 2017).


Este fator é preocupante, principalmente, porque indivíduos que apresentam vulnerabilidades emocionais e/ou psicológicas, que possam vir a ter acesso a esses conteúdos, podem despertar nessas pessoas sentimentos negativos ou podendo condicioná-los a repetir o que foi divulgado em qualquer uma dessas redes de comunicação midiáticas, principalmente se desenvolverem empatia pela vítima. O acesso livre as notícias, pode propagar um efeito reverso do seu propósito inicial, que seria viabilizar a informação, um alerta que deve ser considerado, noticiar informações equivocadas pode causar danos irreversíveis para o receptador (KUCZNSKI, 2014).


Mediante essa questão, uma observação relevante deve ser apontada. A teoria da personalidade, desenvolvida por Albert Bandura, em seus estudos sobre a teoria da aprendizagem por modelagem, que refere-se à aquisição de novos padrões de comportamento através da observação do comportamento de um ou mais modelos, em que aprende-se por meio do reforço vicariante, observando o comportamento de outros indivíduos, assim como as consequências de tal comportamento, o foco na aprendizagem através da observação ou exemplos, muitas vezes sem a necessidade de um reforço direto, é a principal característica da teoria de Bandura (SCHULTZ, 2011). Levando em consideração esta teoria de um dos teóricos mais conceituados no campo científico de teorias da personalidade por modelagem, a aprendizagem a partir de modelos, podem ser um forte fator de risco para as pessoas que apresentam um certo grau de vulnerabilidade.


É um fato consumado que o suicídio é um fenômeno de alta complexidade e multifatorial, que possui inúmeras variáveis que contribuem e que é uma circunstância na qual ninguém nunca sabe o exato momento em que uma pessoa estará vivenciando um risco grave ou não de suicídio ou quando irá ocorrer, se tem conhecimento de quando uma pessoa se encontra em mais risco ou menos risco, porém não se sabe se acontecera no próximo mês ou daqui da 10, 15 ou 20 anos, é impossível prever algo do tipo (FUKUMITSU et. al. 2015).


2.2 MÍDIA E SUICÍDIO

Os meios de comunicação midiáticos exercem um papel de fundamental importância no que se referem a transmitir informações de orientação, alerta, informativas e preventivas em uma vasta gama de informações diversificadas, na sociedade atual contemporânea. Desse modo podemos dizer que a mídia exerce 12 uma forte influência nas atitudes, crenças e comportamentos das comunidades, tendo um papel relevante nas práticas políticas, econômicas e sociais (OMS, 2000).


Não se pode negar o papel preventivo exercido pelos meios de comunicação midiática, Tavira (2016) coloca que em grande parte das sociedades contemporâneas, muito do que é falado a respeito da morte autoprovocada e suas causas é permeado por uma aura de mitos e tabus, por outro lado, a Internet tem funcionado como um espaço amplamente aberto, para a promoção de discussões e informações sobre o tema. Porém deve ser alertado, que esse papel também pode ser inverso e que assim como os veículos de comunicação podem ser usados para transmitir informes de alerta, também podem ser utilizados para propagação do ato suicida.


Kuczynski (2014), faz apontamentos claros e relevantes a esse respeito, em seus estudos ela traz a mídia como o terceiro maior motivador de suicídios, ficando atrás apenas do desemprego e da violência, não apenas para um grupo específico de pessoas, mas para todos. O modelo de estimativa trazido por Kucznski (2014), foi o de pooled regression que mostra que houve um aumento de 1% na mídia elevando a taxa de suicídio de pessoas jovens do sexo masculino entre 15 e 29 anos, em 5,34%, demonstrando um tipo de efeito contágio na estatística de mortes por suicídio, favorecendo assim a hipótese de que a violência é um dos fatores encorajadores dessas taxas, ou seja, quanto mais violento for a localidade, seria mutuamente maior sua taxa de suicídio.


Na internet o problema é realmente preocupante, as informações a respeito do suicídio são de fácil acesso, disponíveis para qualquer pessoa que queira ter acesso a esse conteúdo. Para Fukumitsu et. al. (2015), recentemente a internet vem tornando-se um facilitador do suicídio, até mesmo com suicídios online, pessoas que se utilizam da própria morte para, de repente, adquirir alguns poucos minutos de fama nas redes online de comunicação. Isso pode ser usado como um alerta para que possamos pensar o que se passa por trás de alguém que está se matando online. Já houve vários casos descritos anteriormente.


De acordo com a OMS (2000), boa parte das pessoas que apresentam pensamentos ou ideações suicidas são ambíguas, ou seja, elas não têm certeza se realmente querem pôr fim às suas vidas. A publicidade em torno do suicídio pode ser um fator determinante, que pode levar uma pessoa que apresenta vulnerabilidades a cometer o suicídio.


Assim como a internet, programas de televisão (novelas, séries, entre outros), jornais, músicas, teatro e a própria literatura podem exercer influência sobre indivíduos vulneráveis. Um dos casos mais famosos conhecidos envolvendo suicídio e mídia, aconteceu no final do século XVIII, com a publicação do romance de Goethe Die Leiden des jungen Werther (As Mágoas do Jovem Werther), publicado em 1774. Nesta obra literária é narrado o caminhar fatídico do jovem Werther ao final trágico quando ele mata-se com um tiro após uma malfadada paixão, logo após sua publicação ocorreram inúmeros casos de jovens que usando o mesmo método do personagem, cometeram suicídio. Depois desse acontecimento o livro foi proibido em diversos países, esse fenômeno ficou conhecido como “Efeito Werther”, nomenclatura utilizada para o ato de suicídio coletivo e imitativo (OMS, 2000).


Um outro caso registrado, também ocasionado pela divulgação equivocado, ocorreu em Viena, após uma cobertura sensacionalista de um incidente por morte autoprovocada no ano de 1986 foram registrados a ocorrência de 22 casos de suicídio no período de 18 meses, um aumento significativo se comparado ao três anos anterior, com a percepção de tal acontecimento, foi iniciado pela imprensa e 13 pela Associação Austríaca para a Prevenção do Suicídio, inúmeras discussões sobre o referido tema, por meio desses debates foi criado um manual para os profissionais de mídia, para orientar como divulgar casos de morte autoprovocadas (BOTEGA et. al., 2009). Esse foi um dos primeiros manuais criados para auxiliar aos profissionais que trabalham com a mídia, outros foram elaborados por organizações e em alguns outros países, com a finalidade de evitar a ocorrência de incidentes.


Para a imprensa realizar a divulgação de suicídios é um tabu e enquanto não houver nem um tipo específico de regulamentação no que se refere ao modo como o assunto é abordado, a grande mídia vai continuar evitando dar amplitude ao tema, receando o provável incentivo de novas práticas, todavia, essa não parece ser a visão da Organização Mundial de Saúde, para eles portanto que determinados critérios sejam observados, a divulgação pode contribuir para a prevenção, quando se informa não apenas o fato noticiado, mas fundamentalmente, seus precedentes e suas decorrência como “sinais de alerta” (FERREIRA; RAMALHO, 2013).


Existe uma diretriz de responsabilidade da mídia em relação à divulgação da morte por suicídio. O Brasil assina isso na Organização Mundial da Saúde, porém a gente sabe que não é tão cumprido. Dependendo de como essa morte foi noticiada, [...] se a pessoa que está assistindo ela está numa fase que a gente chama de ambivalente, ou seja, ela não decidiu pelo suicídio ainda, mas ela está pensando, ela pode ser influenciada. Principalmente se ela empatizar com a vítima, quanto maior a empatia que ela tiver com a vítima, maior a possibilidade de ela decidir pelo suicídio e muitas vezes da mesma forma e com o mesmo método utilizado (FUKUMITSU et. al., 2015, p. 56).

Nas considerações de seus estudos Kuczynski (2014), fez o levantamento de nove capitais brasileiras, nas quais o suicídio ocupa a sexta posição entre mortes por circunstâncias extremas, entre pessoas de 15 a 24 anos, de todos os suicídios apontados entre os anos de 1996 e 2000, na cidade de São Paula, 66% das vítimas de morte por suicídio tinham entre 5 e 44 anos. Partido do princípio de que as pessoas que apresentam comportamentos suicidas ou algum tipo de vulnerabilidade têm características contraditórias, que oscilam entre o desejo de viver e o de pôr fim ao seu sofrimento, a precipitação do ato ou tentativa e a inflexibilidade de pensamentos, já que o indivíduo não enxerga outras possibilidades para seus problemas, são a alavanca para que esse acontecimento seja facilmente copiado e/ou imitado (FUKUMITSU et. al. 2015).


Quando paramos para analisar as informações expostas até o momento, parece confuso tantos dados contraditórios, mas deve ser levado em consideração que o fenômeno do suicídio possui inúmeros fatores oscilantes e apesar da exposição insuficiente pelos meios de comunicação, o suicídio demonstra números crescentes a cada ano e é um assunto de grande importância que não deve ser negligenciado, seja como foco de estudos ou seja de intervenção multidisciplinar, mesmo assim até então, não se têm uma estrutura de saúde pronta para atender a presente demanda, que se faz crescente nos serviços de Emergência e de Saúde Mental (KUCZYNSKI, 2014).


2.3 REDES SOCIAIS

Na sociedade atual, o aumento progressivo da popularidade do uso das redes sociais vem se tornando uma pratica diária e contínua, acima de tudo, para as pessoas urbanas, principalmente pelo fato de que foram e estão sendo desenvolvidos a cada dia, novas funcionalidades e aplicações para estas 14 plataformas, o que tem configurado em inovações de dinâmicas de interação e práticas de comunicação globalizadas para todos aqueles que possuem livre acesso à internet, que desde a sua criação vem facilitando o compartilhamento e trocas de opiniões, por meio da elaboração de fóruns online e blogs, essa distribuição acabou se tornando cada vez mais personalizada (TAVIRA, 2016).


Ainda segundo ao autor citado, deve ser destacado em especial crianças e adolescentes, que por meio dos avanços tecnológicos entram em contato com a web cada vez mais cedo e mais intensamente que os adultos. Para Tavira (2016), essa exposição nas redes virtuais de socialização, que na maioria dos casos não tem supervisão de algum responsável, vem acompanhado de diversas situações de risco para a integridade física e saúde mental desses jovens.


Segundo Perreira; Botti (2017), no que se refere a comunicação online para o suicida, foi verificado que a internet opera como um facilitador do acesso aos conteúdo sobre o suicídio, dando um leque de informações sobre o assunto como: método, identificação encorajamento, contágio e cyberbullicídio, mas também a um outro lado, o da comunicação preventiva, que se apresenta como mídia preventiva, grupos de apoio online, redes sociais virtuais e também tele psiquiatria. Desse modo, podemos dizer que estamos diante de uma faca de dois gumes, uma ferramenta poderosa que pode ser usada por ambos os lados da balança- o da prevenção e o da incitação.


Kuczynski (2014), levanta uma importante discussão a respeito dos crimes online, no qual o que mais se destaca é o bullying, principalmente o cyberbullying, que é uma de suas variantes, na qual a dominância vem crescendo fortemente nos tempos atuais, ganhando destaque de modo alarmante, relacionado principalmente aos transtornos mentais, entre eles a ansiedade e a depressão.


Algumas plataformas onde acontecem maior exposição de qualquer assunto, a qualquer momento seja de caráter pessoal, íntimo, profissional ou inclusive de ideações e comportamentos suicida é o Facebook e o Instagram, estas plataformas possibilitam que sejam feitas buscas por conteúdos postados de modo público e de acordo com as palavras-chaves de seu interesse, a internet proporciona ferramentas para quem pensa que o suicídio é a única solução (TAVIRA, 2016). O autor ainda faz o seguinte apontamento “A verdadeira finalidade das mídias sociais, não é em primeiro plano gerar união, harmonia e bem-estar entre as pessoas, mas sim permitir que empresas e marcas de produtos tenham acesso à potenciais consumidores” (TAVIRA, 2016, p. 39).


Desse modo podemos compreender que a internet no que se refere ao ato suicida tem uma relação de ambiguidade, em razão que existem caminhos paralelos entre a prevenção e o auxílio ao encorajamento do suicídio, com isso, podemos identificar como torna-se de vital importância uma maior atenção dos profissionais de saúde a estas plataformas, assim como também sensibilização da população em um contexto geral para ofertar ajuda, realizar o encaminhamento dessa pessoas para profissionais de saúde mental e/ou denunciar o conteúdo sempre que necessário (PERREIRA, BOTTI, 2017).


2.4 SÉRIES 13 REASONS WHY

A série de gênero dramático 13 Reasons Why, foi ao ar no Brasil em março de 2017 pelo streaming Americano, Netflix, sendo uma produção original da mesma em conjunto com a Paramount Television, pela qual foi televisionada. A série foi adaptada da obra Thirteen Reasons Why (2007,) Jay Asher, por Brian Youkey, com 15 13 episódios sua produção executiva ficou a cargo da cantora e atriz Selena Gomes (SOUSA; DE AQUINO; MELO, 2017). Já a segunda temporada teve seu lançamento em maio de 2018, com outras temáticas.


A primeira temporada do seriado aborda as 13 rações que levaram a protagonista Hannah Baker, uma adolescente de apenas 17 anos a cometer suicídio, através de gravações em fitas cassete, feitas antes de sua morte, Hannah relata em detalhes seus motivos que a levaram a cometer esse ato autodestrutivo, aos quais envolvem uma série de acontecimentos, cometidos por um grupo de alunos e o colhereiro pedagógico do colégio onde estudava (PINHEIRO, 2017).


O enredo é retratado alternando entre os pontos de vista da protagonista com os de Clay Jensen, coprotagonista e um dos envolvidos considerado culpado por seu trágico fim, intercalando acontecimentos passados e presentes, expondo por meio do ponto de vista da Hannah os sucedimentos dos eventos que levaram-na a cometer o ato extremo de tirar a própria vida e o impacto que sua morte e suas gravações ocasionaram nas vidas dos outros personagens, desse modo, podemos dizer que 13 Reasons Why tem duas principais temáticas como foco o suicídio e o bullying (BERTOLLI FILHO, MONARI, 2018).


Mesmo sendo o suicídio e o bullying, o foco principal da narrativa na série, outros temas igualmente importantes são retratados como, por exemplo, violência e abuso sexual, negligência profissional, homofobia, automutilação, misoginia entre outros. Em seu estudo utilizando a série como tema, Barbosa (2018), observou que a mesma deixou as pessoas divididas a respeito de sua importância, alguns são da opinião de que ela pode vir a incentivar o ato suicida, principalmente se o telespectador estiver entre os grupos que apresentam fatores ou situações de risco, enquanto outras dizem que a série impulsiona a busca por ajuda. A cena do último episódio, onde é mostrado explicitamente e de modo perturbador, o suicídio da Hannah, foi o momento de maior polêmica entres as discussões que abrangeram o tema.


Esse segundo ponto é reforçado pelo autor, devido ao aumento significativo de 445% no número de e-mails de pedidos de ajuda ao Centro de Valorização da Vida – CVV, uma associação brasileira civil sem fins lucrativos, uma considerável alta de 170% em média de visitantes no site, Robert Paris, presidente do CVV, afirma que os jovens que procuram a ajuda da instituição mencionam o seriado por se sentirem confortáveis e emotivas pelo conteúdo (BARBOSA, 2018).


Os efeitos gerados pela série 13 Reasons Why vem sendo pauta nos mais variados meios de comunicação, principalmente na internet, onde diversas pessoas se sensibilizaram e resolveram compartilhar suas vivências particulares, encorajando umas às outras a pensar sobre como às vezes pequenas atitudes e troças podem vir a resultar em consequências que podem custar a vida emocional de alguém, essa corrente online foi construído por meio do hashtag #NãoSejaUmPorquê, e pelos depoimentos e relatos que tem ajudado muitas pessoas, na página oficial brasileira da série no Facebook, já ultrapassou o número de três milhões de “curtidas” (PINHEIRO, 2017).


Por meio das reflexões feitas, mesmo a série tendo sido compreendida de um modo dualista, 13 reasons why, mostrou que o tema suicídio é presente em nosso dia a dia e estimulou as pessoas a ponderarem mais sobre o assunto mesmo sendo um fator agravante. A internet também é uma ferramenta que pode ser usada no auxilio e prevenção sobre suicídio, temos, como exemplo, a campanha preventiva do setembro amarelo, realizada no Brasil, que adquiriu força por meio das propagandas feitas no Facebook, a possibilidade de contato com plataformas de ajuda e 16 acolhimento, até mesmo o apoio de pessoas que vivenciam ou vivenciaram o mesmo problema, advêm do auxílio da internet (BARBOSA, 2018).


3 MÉTODO

Esta pesquisa foi realizada através do método de natureza básica, com objetivo exploratório, de abordagem qualitativa e procedimento técnico documental, sendo realizado uma atualização bibliográfica por meio de periódicos, como: Scielo, BDTD (Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações), Google Acadêmico, Periódicos CAPES/MEC e livros. E, por fim, o procedimento de análise computadorizada de dados textuais.


Esta pesquisa teve como foco principal, analisar a percepção das pessoas, a respeito do modo como o suicídio é exposto pela série “13 Reasons Why” utilizando comentários de usuários do Facebook que interagiram após lerem a postagem feita pelo doutor em psiquiatria Luís Fernando Tófoli, o artigo, 13 Parágrafos de Alerta sobre “13 Reasons Why”, direcionado para pais, educadores e profissionais de saúde, com o intuito de alertar as pessoas acerca do modo como o suicídio é exposto na série. O material foi postado no dia 09 de abril de 2017, a coleta dos comentários da postagem foi realizada do dia 08 a 27 de março de 2018. O texto recebeu 6.072 mil reações, dentre elas curtidas, imagens de triste e raiva; foi compartilhado 6.673 vezes e recebeu 3.087 comentários.


3.1 VARIÁVEIS E ANÁLISE DE DADOS

Para análise textual,foi criado um banco de dados a partir do conteúdo dos comentários. Devido ao grande número de comentários, foram colhidos 300, com conteúdo textual a partir de três linhas de extensão, possibilitando uma análise mais rica em dados. Os 300 comentários foram divididos em três categorias: aqueles que se posicionaram contra 96, a favor 120 e os que constituíram uma opinião divergente 84, sobre o modo como a série aborda o suicídio, procurando identificar a percepção que as pessoas tiveram a respeito dessa forma de exposição.


Aos dados documentais foi aplicada a análise de conteúdo computadorizada por meio do freeware Iramuteq. Sendo possível ver as classes, gerar os gráficos de Análise Fatorial de Correspondência, Análise de Similitude e o Dendograma.


4 RESULTADOS

A partir dos 300 textos selecionados para análise no Iramuteq, aplicou-se o método da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e obtivemos uma divisão de 3 classes. A Classe 1 foi chamada de Contra a Série; a Classe 2 foi chamada de Opiniões Divergentes; e a Classe 3, Discussões e Vulnerabilidades.


A partir dos scores mais forte ao menos forte, foi possível verificar no dendograma, que as Classes 1 Contra a série e a Classe 2 Opiniões Divergentes, estão ligadas, já a Classe 3 Discussões e Vulnerabilidades apresentasse separadamente, mesmo estando conectada com as Classe 1 e 2, como pode ser observado na Figura 1.


Com as análises, foram criadas três tabelas que apresentam os termos por ordem de frequência e concorrência, identificados a partir dos valores do quiquadrado (X²), ou seja, quanto maior este valor, mais ao topo a palavra vai se encontrar dentro de cada categoria.


Na categoria 1, Contra a Série (Quadro1), está relacionada a 40,3% das palavras encontradas no texto, os termos pertencentes a esta classe são: Concordar, texto, ler, cena, opinião, ponto, gente, assistir, achar, série, mesmo, assim, bom, coisa, ver, pesado, sentido, irresponsável, entre outras palavras. Algumas dessas palavras estão interligadas as opiniões de profissionais da área de saúde e de relatos pessoais das pessoas que se manifestaram contra a série, o próprio artigo de onde as postagens foram coletadas do doutor em psiquiatria Luís Fernando Tófoli, que expõem de maneira enérgica sua opinião contraria o modo como o suicídio foi abordado.




A categoria 2, Opiniões Divergentes (Quadro 2), é responsável pela explicação de 13,8% das palavras encontradas no texto, os termos pertencentes a esta classe são: enfim, público, válido, falta, evitar, alerta, cuidado, pertinente, crítica, seriado, reflexão, tornar, falta, gatilho entre outras. A maioria das palavras classificadas, estão relacionadas aos comentários que não tinham uma opinião clara sobre o modo como a temática do suicídio foi abordada pela série, em sua maioria os texto tinham início fazendo apontamos positivos, para logo em seguida divergirem sua opinião, sem uma conclusão objetiva e pontual da sua percepção pessoal.



A categoria 3, Discussões e Vulnerabilidades (Quadro 3), explica 45,8% das palavras encontradas no texto, os termos pertencentes a está classe são: suicidar, ao, personagem, escola, opção, jovem, levar, abuso, algo, quando, errado, adolescente, influência, mundo, pessoa, decisão, culpabilização entre outras. Algumas dessas palavras estão interligadas com as discussões e debates que foram proporcionados após o lançamento da série, questões de extrema relevância, mas que não eram discutidas abertamente por serem consideradas tabus sociais, outras palavras também estão relacionadas as vulnerabilidades apresentadas por algumas pessoas que assistiram a série e que foram extraídas principalmente dos relatos de casos reais que alguns dos participantes vivenciaram ou que possuem históricos na família.


Por meio das análises, obtive-se também os resultados através da Análise Fatorial de Correspondência – AFC, em que é possível visualizar através dos textos coletados durante a pesquisa, as palavras analisadas graficamente, considerando a frequência de incidência de palavras e as classes, representando-as em um plano cartesiano a forma como se relacionam.





Analisando a Figura 2 é possível visualizar cada uma das três classes de modo individual e como elas se relacionam entre si. As classes 1 e 2 em vermelho e verde, respectivamente, encontram-se organizadas no lado direito da tabela, indicando um forte relacionamento entre elas. Já a classe 3 em azul ocupa o lado esquerdo da tabela, com os termos se colocando de maneira isolada, indicado a ausência de relação entre as duas primeiras classes. É possível analisar, observando a Figura 2, que os termos entre as três categorias não se entrelaçam, o que significa que elas podem ser caracterizadas de modo representativo.






Em seguida, realizou-se uma Análise de Similitude, com a finalidade de analisar a relação e/ou conexão entre as palavras, baseado na teoria dos grafos, foi possível identificar as ocorrências entre os termos e as indicações da conexidade entre elas, auxiliando na identificação da estrutura de conteúdo de um corpus textual.


O resultado apresentou dois agrupamentos de palavras, centralizados pelas palavras “não” e “série”. O termo “não” é a mais central na imagem, aparece 22 fortemente conectado a palavra “série”, demonstrando haver uma forte rejeição sobre como a série abordou o suicídio, no episódio final, onde é exibido de maneira explicita a retrospectiva da protagonista realizando o passo a passo de sua autodestruição. O que significa que a maioria dos comentários da postagem do doutor em psiquiatria Luís Fernando Tófoli, com o seguinte título: 13 Parágrafos de Alerta sobre “13 Reasons Why”, onde o mesmo se pronuncia contra os métodos da série, a respeito de como o suicídio foi abordado, são favoráveis.


A palavra “não” também apresentou ligações relevantes com: pessoa, ajuda, suicídio e como, demonstrando a coerência com os resultados das análises anteriores. Destacando-se a visibilidade das discussões e debates, sobre um tema tão censurado, proporcionados pela popularidade da série, assim como também as inúmeras opiniões não definidas sobre os benefícios e malefícios causados pela mesma.


5 DISCUSSÕES

Desde seu lançamento o seriado norte americano 13 Reasons Why ou Os 13 porquês, como é conhecido popularmente no Brasil, vem proporcionando inúmeros debates e discussões, assim como opiniões diversas a respeito do seu polêmico método em abordar temas delicados e que dificilmente são debatidos abertamente. Pode-se citar, como exemplo, violência e abuso sexual entre adolescentes, homofobia, automutilação, misoginia, suicídio entre outros. Segundo o que foi citado anteriormente, intencionou-se com essa pesquisa analisar a percepção das pessoas, a respeito do modo como o suicídio é exposto pela série.


Foram avaliadas três classes que delinearam a opinião das pessoas no que se refere as suas percepções a respeito da diretividade que a série utilizou para explorar o tema do suicídio. Por meio dos resultados analisados no presente estudo foi possível verificar uma ambiguidade na percepção das pessoas, pois na Classe 1 Contra a Série, onde os discursos apresentaram uma colocação favorável ao artigo do doutor em psiquiatria Luís Fernando Tófoli, que se posiciona contra os métodos utilizados pelo seriado, indica uma opinião contraditória em alguns pontos, como por exemplo a questão da romanização.


Porém, todos os textos analisados mostraram um posicionamento singular no que se refere ao contexto geral da série. A culpabilização presente na narrativa da protagonista, assim como a ausência de sinais e sintomas de uma possível doença mental, deixou claro em alguns relatos, que essas questões são uma preocupação dentro da concepção geral.


Considerado inadaptável e implícito a múltiplos determinantes, o comportamento suicida se apresenta, muitas vezes, em um nível de gravidade que pode diferir a ideação suicida do suicídio consumado, ou seja, o indivíduo que apresenta a ideação e é exposto a algum fator que possa desestabilizá-lo, corre sérios riscos de promover sua autodestruição (WERLANG, 2013).


Outros autores que reforçam essa reflexão são Roskosz, Chaves, De Lara Soczek (2017), que falam sobre os aspectos imprecisos caracterizados pela ausência do pensamento de vida e pela presença de pensamentos de morte, essas ideias podem ser passageiras ou podem evoluir para uma tentativa, causando assim a consumação do ato.


Observou-se também, a respeito da percepção das pessoas, sobre o fator que indica ou não a romanização do suicido retratado pelo seriado, principalmente no episódio final, em que a protagonista corta os seus pulsos na banheira de sua 23 casa. Essa cena específica foi a mais polêmica e com maior divergência de opiniões.


Kuczynski (2014), fala claramente que quando o contexto é analisado imparcialmente, o modelo de imitação é responsável por boa parte das tentativas dos casos de suicídio, assim como pelo sucesso na prática do ato, principalmente em adolescente, a partir da influência midiática. A mídia foi classificada como o terceiro principal motivador da ação suicida, ficando atrás apenas do desemprego e da violência, presentes em todos os grupos sociais (KUCZYNSKI, 2014).


A replicação de uma ação através da observação, também foi explanada pelo teórico canadense Albert Bandura, que expôs esse fator pelo viés cognitivo em sua teoria da aprendizagem por modelagem, voltada inicialmente para a perspectiva do desenvolvimento humano, sua evolução transcorreu para oblíqua a forma que os fatores influenciam determinado comportamento (SCHULTZ, 2011).


Analisando a Classe 2 Opiniões Divergente, foi possível observar um extenso grau de incongruência nos discursos, assim como na Classe anterior, a uma considerável ambiguidade na percepção geral das pessoas. Em sua grande maioria, os textos iniciam-se apontando os aspectos negativos da série, para logo em seguida entrar em contradição falando sobre a importância em assisti-la, ao final dos discursos, não á uma conclusão clara e objetiva da percepção daquele indivíduo.


A incongruência presente na opinião dos sujeitos que expuseram suas ideias, é compreensiva principalmente quando levamos em consideração que o fenômeno do suicídio é multifatorial. Esse ato autodestrutivo não é constituído como uma receita de bolo, ele depende de inúmeros fatores para que ocorra, é a somatização de acontecimentos e situações que em muitos casos vem sendo acumuladas desde o nascimento do indivíduo. As pessoas com pensamentos e ideações suicidas passam por um longo processo de ambivalência desenvolvendo um profundo sofrimento psíquico, os sentimentos de dúvidas e indecisões fazem parte desse processo (FUKUMITSU et. al. 2015).


Muitos consideraram a cena final como sendo poética, um incentivo que demonstrou como seria fácil e indolor pôr fim ao sofrimento, já outros enxergaram como um alerta, uma forma de dizer “Ei, depois disso não tem mais volta”, o site da CVV após a exibição da série sofreu uma alta de 170% na média de visitantes e um aumento de 445% no número de e-mails que pediam, sem mencionar o aumento significativo de ligações, os número não mentem, foi uma melhora significativa (BARBOSA, 2018).


Para Rigo (2013), o suicídio é configurado como uma incógnita sem qualquer resposta exata ou formulada, sobre a qual nos desdobramos, estudando e pesquisando na busca por uma melhor compreensão e entendimento. Mas a realidade é que este fenômeno está intensamente conectado a subjetividade do sofrimento humano, indagar uma racionalização na implacável busca por respostas, vem se tornando um processo árduo e longo.


No segmento da Classe 3 Discussões e Vulnerabilidades, nesse quadro foi possível perceber por meio dos discursos o aumento significativo do movimento de debates e discussões sobre o suicídio. Antes do lançamento da série, o suicídio já vinha sendo mais discutido. O Centro de Valorização da Vida – CVV juntamente com o Conselho Federal de Medicina – CFM e da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, criaram a iniciativa do Setembro Amarelo, que já estava em vigência desde 2015, esse mês foi escolhido, porque, no dia 10 de setembro é comemorado o dia Mundial de Combate e Prevenção ao suicídio.


O objetivo era alertar a população sobre a importância de discutir sobre o tema, promovendo palestras, rodas de conversas, debates, entre outros, possibilitando o acesso a informação, com a finalidade que romper tabus e por fim ao preconceito. A iniciativa apesar de ser funcional, abrangente e ter viabilizado um tema ainda delicado, funcionava bem apenas durante o período da campanha.


Após a estreia da série, que impactou todo o público brasileiro, assim como a população mundial, firmou um forte e intenso debate a respeito dos polêmicos temas abordados pela mesma, tendo como destaque o suicídio. Nas redes sociais, assim como nos sites de notícias, 13 Reasons Why, se tornou assunto de inúmeras reportagens devido ao seu conteúdo, recebendo destaque de opiniões positivas e negativas, estabelecendo discursos públicos abertos sobre a morte autoprovocada (BERTOLLI FILHO, MONARI, 2018).


Ainda segundo o autor, a séria ficou afamada pelos modelo errôneo, no que se refere ao modo como o suicídio foi retratado, desrespeitando várias das orientações defendidas pela OMS, como por exemplo, não trabalhar em conjunto com autoridades reconhecidas da saúde na apresentação dos fatos e focar em outras possibilidade que não fosse na autodestruição da jovem, em nem um momento Hannah é retratada buscando ajuda profissional como a de um psicólogo ou psiquiatra. Mesmo tendo promovido um debate público considerável, sobre o assunto, desrespeitou ponderações importantes recomendadas pelo manual da OMS (BERTOLLI FILHO, MONARI, 2018).


Quando levantamos os aspectos presentes, condizentes com as vulnerabilidades, presentes em cada indivíduo, por questões diversas, devemos avaliar dentro do contexto da saúde mental, Pinheiro (2017), colocou que associado a vulnerabilidade, aparece o risco, podendo causar consequências irreversíveis.


Pessoas que sofrem de algum transtorno mental ou que se encontram emocionalmente vulneráveis, quando expostas a situações que apresentem gatilhos desencadeadores de sofrimentos, podem leva esse indivíduo a um caminho sem volta. Isso é retratado na série pela personagem, Hannah, e pode ocorrer na vida real, como foi possível verificar através dos relatos coletados para análise deste estudo, essa foi uma preocupação presente em quase todos os discursos.


6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo procurou identificar a percepção das pessoas, que possuem ou não algum tipo de vulnerabilidade emocional, mediante ao modo como a série 13 Reasons Why expôs o suicídio, e de que forma as redes midiáticas de comunicação online levantaram as discussões sobre o referido assunto, assim como distinguir se houve um aumento significativo ou não nos debates.


Mesmo com as campanhas e as constantes rodas de conversa e discussão, esse ainda é um tema que tem suas limitações ao ser debatido, um cenário que aos poucos vem sendo modificado e ganhando visibilidade, seja ela por uma perspectiva positiva ou negativa.


Através dessa pesquisa observou-se, que as pessoas estão mais abertas ao diálogo e a buscar mais informações sobre o fator suicídio, apesar do receio e medo de serem julgadas, muitas delas compartilharam relatos de vivências pessoas. Profissionais das áreas de saúde e educação deram sua opinião abertamente, compartilhando suas experiências e lutas diárias contra uma sociedade que estigmatiza o diferente, sem medir as consequências dos seus atos e julgamentos.


Em pleno século XXI, a disseminação do preconceito, das críticas, da intolerância, a falta de respeito, a felicidade duvidosa exibida nas redes sociais 25 online, interligadas, a busca por um modelo de perfeição preconizado pela sociedade contemporânea moderna da qual fazemos parte, juntamente com a disseminação da internet, fazem parte de um conjunto de agravantes, que muitas vezes nos levam ao limite.


Quando todos esses pontos e mais alguns que não foram listados, são unidos para serem retratados mesmo que em uma história fictícia, tendo como plano de fundo um desfecho perturbadoramente trágico, é inevitável que a população inicie discussões e diálogos sobre os temas polêmicos retratados pelo citado programa.


Em torno disso, outra questão com uma importância ainda maior deve ser considerada por meio do viés psicológico: como abordar o suicídio na mídia aos indivíduos que se apresentam vulneráveis, sem fazer apologia? É impossível assistir 13 Reasons Why, e não imaginar quantas Hannas não passam pelo que a personagem passou, todos os dias, em todo o mundo e como os profissionais que deveriam ouvir, orientar e proteger essas pessoas, vem negligenciando.


Através desde estudo foi possível identificar a existência de uma necessidade em falar e ser ouvido, uma carência de informações para que estigmas sejam silenciados, sendo substituídos pelo conhecimento. Através do compartilhamento das histórias, por meio dos textos coletados utilizados nesta pesquisa, percebeu-se que quando se dividi o sofrimento, sua proporção diminui, essa é uma questão que claramente é mostrada nos diálogos coletados. Pessoas que apresentam pensamentos e ideações suicidas não querem pôr um fim as suas vidas, elas querem pôr fim em seus sofrimentos.


O suicídio deve ser discutido, debatido e também abordado pela mídia, porém isso deve acontecer de maneira assertiva, alertando e prevenindo, tirando dúvidas, realizando esclarecimentos informativos sobre a importância de se pedir ajuda e como encontrar essa ajuda, assim como desconstruir preconceitos, estigmas e rótulos, essa não é uma questão que deve ser tratada de modo leviano. Não podemos menosprezar a dor do outro ou julgar se ela é menor ou maior que a nossa própria, apenas quem vivencia a situação e o problema pode dimensioná-lo.


Com base nos presentes resultados, foi observado que os objetivos deste trabalho, foram alcançados. É importante enfatizar a importância desta pesquisa para a área da saúde mental, podendo corroborar significativamente no âmbito acadêmico e científico, principalmente por ser um tema atual e pesquisado de modo diversificado. Destacando que este é um assunto que necessita de uma maior abrangência para ser estudado. Relevante aos resultados apontados, é válido salientar que eles podem ser utilizados em pesquisas futuras sendo usados como comparativos com dados atualizados, assim como também em palestras, rodas de conversas ou até mesmo como uma fonte de estudos para outros artigos.


É importante compreender que o suicídio é uma consequência de fatores que vem se acumulando durante muito tempo, que basta apenas uma pequena situação para que todos esses fatores venham à tona como uma onda destruidora. Falar sobre essas questões ainda é a melhor forma de prevenir e combater esse mal.


REFERÊNCIAS

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